domingo, 19 setembro, 2021

Debate sobre o assunto divide opiniões tanto nas redes sociais quanto na Câmara Municipal

Prefeitura de Palmeiras planeja asfalto e pedágio na Estrada do Capão

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Prefeitura de Palmeiras planeja asfalto e pedágio na Estrada do Capão

Debate sobre o assunto divide opiniões tanto nas redes sociais quanto na Câmara Municipal

A novela da pavimentação da Estrada do Vale do Capão ganhou uma polêmica adicional: é que além do asfaltamento, a Prefeitura de Palmeiras prepara um Projeto de Lei para regulamentar a cobrança de pedágio no trecho de 20km que separa as sedes do município e do distrito de Caeté-Açu.

“A gente tá aprovando esse pedágio agora, a lei já tá em fase final e nós vamos aprová-la com intuito de dar manutenção à estrada”, declarou o prefeito de Palmeiras, Ricardo Guimarães (PSD), confiante que terá a maioria dos nove votos da Câmara Municipal. Ele não deu detalhes sobre o projeto, mas adiantou que além da cobrança, o pedágio poderá servir também para restringir o acesso de veículos pesados. “Se a gente não proibir esses caminhões pesados, essas caçambas, aquele calçamento vai durar pouco tempo”, diz.

O prefeito se refere à obra da Ladeira dos Campos, que está sendo realizada pelo Governo do Estado. Dos 1,3km de extensão, 500 metros ainda só têm meia pista concluída e mesmo assim em alguns trechos a água fica empoçada e um dos quebra-molas já está com as pedras soltas.

Na próxima semana, Guimarães terá uma audiência com o Secretário de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti, e a deputada Ivana Bastos. Eles vão pedir que a Seinfra assuma não apenas a obra de pavimentação da estrada, mas também a confecção do projeto. “Já que foi a Secretaria de Infraestrutura que fez a ponte [do Rio Grande] e a Ladeira dos Campos, logicamente um projeto pela Seinfra já tá mais encaminhado, já que eles tem todo o escopo dessa estrada”, justifica.

A pavimentação do único acesso rodoviário para o Vale do Capão virou objeto de um intenso debate. Tudo começou no dia 3 de julho, quando o próprio governador Rui Costa manifestou, em um encontro em Andaraí, com prefeitos da Chapada Diamantina, a sua disposição em atender a um projeto de asfaltar a estrada.

Na verdade, o projeto ainda não existe, apenas o pleito. Não importa. Foi o suficiente para que moradores, frequentadores e trabalhadores do Vale do Capão viessem a público para manifestar das mais abalizadas às mais controversas opiniões sobre o assunto. O debate foi tão acirrado que o Correio* rebatizou a via de acesso ao Vale de “Estrada da Discórdia”.

As redes sociais foram o grande palco do debate. E o palco maior, dentro das redes sociais, foi o Notícias do Vale do Capão (NV), grupo do facebook com quase 34 mil membros, o que equivale a mais de onze vezes o total da população fixa do local, estimada em 3 mil habitantes. Uma busca pelo NV com a palavra-chave asfalto aponta para uma lista infindável de postagens e comentários contra e a favor, incluindo dois abaixo-assinados virtuais que mobilizaram mais de 2.300 pessoas: até às 11h do dia 24/07, quando foi fechada esta reportagem, 603 pessoas haviam dito SIM ao asfalto, contra 1.819 pessoas, que disseram NÃO.

CÂMARA – Em breve o debate chegará à Câmara de Vereadores de Palmeiras, que é quem decide sobre a aprovação dos projetos. Dos nove vereadores eleitos em 2020, dois foram eleitos pelo Capão: Giba (PT), pela oposição, com 290 votos, e Dundum (PSD), pela situação, com 198 votos.

Giba questiona a competência da Prefeitura de Palmeiras para resolver a questão. “Na verdade todas essas obras são do Estado, nenhuma é do município. E o que cabia ao município ficou muito a desejar, a exemplo do descaso em relação à Ladeira dos Campos e à própria estrada Palmeiras-Capão. Essa estrada não era pra estar do jeito que está. Aliás, começou a fazer, disse que terminou uma parte e antes mesmo de dizer que terminou já não existia mais nada”, critica.

O vereador se refere à obra licitada em R$ 1,6 milhão em abril do ano passado e que teve como vencedora a empresa Queiroz Pimentel Serviços Ltda.. Além dos serviços de recuperação de 20km de estrada de terra, o trabalho incluia o calçamento de 1,2km da Ladeira dos Campos, obra que se arrasta desde dezembro de 2020 e que teve inúmeros contratempos, o mais grave deles ocorrido no dia 4 de julho, quando vários carros atolaram no lamaçal do desvio da Buena, interditando o acesso ao Vale.

“Se [a Prefeitura] tivesse feito o retorno do Buena corretamente e durante aquele caos tivesse tido uma intervenção da Prefeitura pra pelo menos amenizar a situação a gente podia estar com esa Ladeira dos Campos terminada”, opina o vereador petista. “Então, claro que é o Estado que vai assumir, eu não entendo esse balão que tá se colocando aí”, conclui.

PEDÁGIO – Em relação ao pedágio, Giba contesta a legalidade da cobrança. “Eu também já estive na Secretaria de Infraestrutura com integrantes do Consórcio Chapada Forte e naquela ocasião houve uma resposta imediata de que haveria uma inconstitucionalidade em relação a essa cobrança. O prefeito já vem com essa narrativa já há um tempo, o que ele não tem ainda é o resultado da Estrada”, argumenta. “O prefeito gosta de cobrança, mas gosta de pouco serviço”, criticou.

Já o vereador Dundum disse que pelo seu conhecimento o que está sendo articulado é a cobrança de uma taxa de turismo, como se faz em Morro de São Paulo, mas que é a favor tanto deste tipo de cobrança quanto do pedágio. “Sou a favor da cobrança, principalmente para caminhões e carros pesados. O município tem que ter arrecadação para poder investir”, defende.

Ele também foi um dos primeiros a sair em defesa do asfaltamento da estrada. “Asfalto, paralelo, estrada-parque… O que o governo colocar, sendo de qualidade, sou a favor”, declarou. “É a maior cobrança que a gente recebe da população. E não só a estrada Palmeiras-Capão, mas também as ruas internas, que estão todas acabadas”, admite.

“Temos em média de mais de 200 pessoas que saem diariamente de Palmeiras para trabalhar no Capão, essas pessoas não tem um transporte decente porque ninguém quer colocar um carro que traga essas pessoas, justamente pelos 20km de estrada horríveis que temos. Essas pessoas vem se aventurando, alguns em suas motos outros em cima de caminhão, outros de carona. Fora quando tem qualquer emergência médica sabemos o sufoco que o paciente passa”, justifica.

Na opinião dele, a chegada do asfalto ou de qualquer outra estrada de qualidade que não seja de terra representará o fim do sofrimento de moradores, trabalhadores e visitantes, mas principalmente dos que vivem no Capão e os que vem de Palmeiras e voltam todo os dias p ganhar o sustento de sua família. “O preço de fretes, materiais de construção, comida, etc, tudo que chega através de transporte vai ficar mais barato, com o trajeto de boa qualidade para se locomover”, acredita.

NATIVOS & ALTERNATIVOS – Nascido em Cairu, na Costa do Dendê, e criado no Capão, Dundum se se define como um “nativo” do Vale. Ele acredita que em boa parte do debate, as opiniões se dividem pela procedência das pessoas, com a maioria dos contrários sendo formada pelos chamados “alternativos”. “Vejo muita gente falando que é contra, cada um tem seu direito de se expressar, mas a grande maioria que reclama não vive aqui, não passa pelos transtornos vividos por quem vive aqui ou quem é nativo daqui. Então fica fácil falar de longe. Também existem os que não querem o asfalto ou estrada boa, mas não aguentam ver um carro que pedem carona”, ironiza.

Embora confiante na maioria formada na Câmara para aprovar seus projetos, o prefeito Ricardo Guimarães não está alheio ao poder de boa parcela dos contrários de minar o projeto do asfalto. Moradores ou frequentadores, com ou sem vínculos oficiais com o município – inclusive no título eleitoral -, o público mais resistente à pavimentação argumenta que o asfalto trará problemas ambientais graves ao meio ambiente e ao turismo de uma localidade conhecida como um paraíso ecológico, como a impermeabilização do solo, o aumento do número de acidentes, o risco à integridade dos animais silvestres, entre outros. Questionado sobre o assunto, o prefeito Ricardo Guimarães reconhece a repercussão negativa que essa resistência pode trazer para o projeto. “Sem sombra de dúvidas. Por isso que eu tô correndo atrás e marcando audiência”, admite. “Quero adiantar esse projeto”, conclui.

Aurelio Nunes
Jornalista de profissão, palmeirense de coração, morador do Vale do Capão
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A questão da estrada, anunciada pelo governador Rui Costa no último dia 3 de julho, é uma discussão antiga na comunidade. Ao contrário do que o jornal Correio da Bahia insinua na sua postagem, não acredito que seja uma simples oposição entre moradores que querem as comodidades de uma estrada e alguns conservadores que temem o aumento da atividade turística.

4 COMENTÁRIOS

  1. Muito inseto que se acha abelha rainha… Muitos pajés pra poucas tribos, muito pombo sujo falando asneira e o resultado dessa merda toda é um imensidão bizarra de hipócrisia.

  2. Interessante, se fala em proibir o tráfego de caminhões e caçambas na estrada para o Capão, mas estão pensando em colocar, abrir outra estrada para que estes veículos, necessários para transporte de todos os tipos de materiais para consumo dentro do Vale, em outro ponto?
    A prefeitura está empurrando goela abaixo dos moradores uma taxa de lixo e agora vem com essa de pedagio.

  3. Não vejo como qualquer tipo de pavimentação poderá agredir mais o meio ambiente nos pouco mais de vinte quilômetros que separam a sede municipal do distrito de Caeté-Aćú que a enorme quantidade de poeiras levantadas pelo tráfego dos veículos à vegetação que margeiam a estrada de cascalho. Evidente que se fosse escolhida a pavimentação com pedras paralelepípedos ( material encontrado em profusão no entôrno da região) a pesar de execução mais demorada ,utilizaria maior quantidade de mão de obra local e a manutenção seria menos onerosa e dispensaria maquinário apropriado.
    Que é necessário a pavimentação daquela ligação, isto evidencia -se pelo fluxo turístico ao vale e à quantidade de pessoas moradoras que trabalham em Palmeiras.Quanto a cobrança de pedágio considero justo desde quando os recursos arrecadados se destinem à manutenção da estrada e que seja com preço diferenciado para os MORADORES do vale que trabalhem na sede do município

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