A Biblioteca Comunitária do Vale do Capão realiza, neste sábado (21), das 10h às 12h, a Oficina de Rimas com o poeta Denisson Palumbo. A atividade é voltada para crianças de 8 a 12 anos da comunidade.
A proposta, portanto, é estimular a criação poética por meio da oralidade. Além disso, as crianças serão convidadas a construir versos a partir de rimas presentes na língua brasileira. Para isso, o encontro utilizará cantigas de roda, improvisação e leitura de folhetos de cordel.
Também serão exibidos vídeos curtos com crianças e adolescentes recitando e cantando. Dessa forma, a atividade busca ampliar o repertório e incentivar a expressão criativa.
A participação é gratuita. No entanto, contribuições voluntárias serão bem-vindas.
Poeta, compositor e autor de textos teatrais, Denisson Palumbo é graduado em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente, ele desenvolve seu trabalho principalmente por meio da oralidade. Por isso, apresenta-se em palcos e praças.
Além da oficina, o poeta também apresenta uma novidade ao público local. Recentemente, ele lançou no Capão uma edição do livro A Arte do Cafuné, em literatura de cordel, durante o Sarau do Cafuné realizado no Quincas Café. Em breve, o Portal Vale do Capão irá lançar a pré-venda da obra em parceria com o escritor.


Poesia como cultivo e encontro
Em entrevista, o artista explica sua aproximação com o Capão. Segundo ele, há um desejo de participar de mudanças concretas no território.
“Estar aqui é um passo além de só estar próximo. É fazer parte da mudança e realizar algo prático.”
Ao mesmo tempo, Denisson questiona ideias romantizadas sobre o interior. Para ele, não há oposição simples entre urbano e rural.
“O simples é o que é. No entanto, o complexo também tem seu lugar. Existe sofisticação nas coisas simples.”
Além disso, ele destaca que o Capão oferece condições mais favoráveis para o engajamento cultural.
“Aqui eu me sinto mais motivado à mudança. Em Salvador, por outro lado, tudo é mais complexo e difícil de acessar.”
Cultura popular e território
O trabalho com literatura de cordel encontra maior diálogo com o interior. Nesse sentido, o poeta percebe uma conexão direta com as práticas culturais locais.
“A poesia é uma arte de cultivo. Portanto, ela nunca vai ser industrial.”
Além disso, manifestações como o forró e o São João fortalecem esse vínculo. Do mesmo modo, os encontros comunitários criam espaços de troca.
“Aqui tem tempo. As pessoas se reúnem, tocam e celebram. Isso conversa diretamente com o que eu faço.”
Biblioteca como espaço de transformação
O vínculo com a biblioteca surgiu de forma espontânea. Inicialmente, foi motivado pela proximidade com o espaço. Depois, consolidou-se pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido.
“Eu vi o cuidado com a biblioteca, com os voluntários e com o acervo.”
Segundo ele, o espaço vai além de um local de armazenamento de livros. Pelo contrário, trata-se de um ponto estratégico de convivência.
“Não é um depósito. É um lugar para construir vínculos com a comunidade.”
No entanto, ele aponta um desafio importante. Ainda é necessário ampliar a participação de jovens e moradores locais.
“Falta que pessoas nativas, especialmente jovens, frequentem mais a biblioteca.”
Como leitor assíduo, Denisson reforça o papel desses espaços. Para ele, a biblioteca é fundamental na formação cultural.
“Sempre tive encontros maravilhosos em bibliotecas comunitárias.”
Literatura como encontro
Para o poeta, a literatura deve ir além da venda de livros. Em outras palavras, ela precisa criar conexões entre pessoas.
“O objetivo é vender. No entanto, também é gerar um encontro íntimo com o leitor.”
Ele também observa que o cordel ainda tem pouca visibilidade em grandes eventos literários. Por isso, valoriza iniciativas locais.
“Penso o Capão como um lugar onde as pessoas encontrem livros.”
Assim, a oficina deste sábado surge como um convite. Mais do que aprender rimas, as crianças poderão vivenciar a poesia como experiência coletiva.







