Uma mulher preta, natural do Vale do Capão, está entre as oito participantes selecionadas para o Concurso Negra Malê 2026, iniciativa promovida pelo tradicional Bloco Afro Malê Debalê, sediado em Itapuã, Salvador (BA).
Reconhecido internacionalmente como o maior balé afro do mundo, o Malê Debalê é referência na valorização da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da estética negra, com atuação histórica no fortalecimento das narrativas da população preta na Bahia e no Brasil.
O Concurso Negra e Negro Malê integra o calendário cultural do bloco e vai além de um certame estético. A iniciativa busca eleger representantes que simbolizem identidade, pertencimento, resistência e conexão com as tradições afro baiana e afro brasileira, destacando trajetórias pessoais alinhadas aos valores do Malê Debalê.
Ao comentar a seleção, Camila Araújo destacou a emoção e o caráter coletivo da conquista. “No primeiro momento, veio uma mistura de emoção, surpresa e gratidão. Pensei em todos os dias de dedicação para chegar até aqui e nas mulheres da minha família que vieram antes de mim. Foi como se minha ancestralidade estivesse dizendo: é aqui, é agora”, afirmou.
Nascida e criada no Vale do Capão, Camila reforça que o território é parte essencial de sua identidade e presença no concurso. “O Capão é um território de coletividade e resistência cultural. Crescer ali me ensinou o valor da construção coletiva. Trago esse território no corpo, na dança e na forma como me movimento”, explica.
Para a jovem, o Concurso Negra Malê representa um espaço de afirmação e pertencimento. “É um lugar onde minha identidade negra é celebrada e exaltada. Representa a possibilidade de existir por inteiro, com minha ancestralidade, minha história e minha verdade. É um território simbólico de reconhecimento e continuidade da luta do povo negro”, destaca.

Camila também enfatiza a importância do apoio comunitário em sua trajetória. “Eu não cheguei até aqui sozinha. Carrego a força da minha família, dos mestres e mestras e de todas as pessoas que acreditam em mim. Essa conquista é compartilhada”, pontua.
Ao deixar uma mensagem para outras meninas e mulheres pretas do interior, a participante reforça o papel do sonho como resistência. “Que confiem na própria história e entendam que o território de onde vêm é fonte de força, não de limitação. Quando uma de nós ocupa um espaço, abre caminhos para muitas outras.”
A participação da representante do Vale do Capão no Concurso Negra Malê 2026 evidencia a importância de iniciativas culturais comprometidas com a representatividade negra, o protagonismo feminino preto e a valorização da cultura afro-baiana, ampliando vozes e ocupando espaços de potência.








