Um sonho iniciado há quase 20 anos acaba de ganhar forma. O músico Guga Rehm lançou, no dia 26 de setembro, o EP Pangea Volume 1, trabalho de Reggae Roots 100% instrumental que reúne cinco composições construídas ao longo de uma trajetória marcada pela busca por uma música capaz de provocar transformação e bem-estar.
A ideia começou com uma vontade simples, mas persistente: criar músicas que transmitissem mensagens capazes de modificar positivamente o estado de quem as escutasse.
“Existia uma vontade verdadeira de criar músicas que falassem de coisas que nos elevam, mensagens capazes de modificar o estado vibracional de uma pessoa para melhor”, conta Guga.
Segundo o músico, o processo começou de maneira bastante íntima. Ele criava as músicas, percebia os efeitos que elas produziam nele e, depois, compartilhava as composições com pessoas próximas. Os relatos que recebia reforçavam a percepção de que havia algo a ser desenvolvido.

Do Reggae Roots à espiritualidade
A relação de Guga com o Reggae Roots também está ligada a uma transformação pessoal. Para ele, o gênero foi uma porta de entrada para questões relacionadas à espiritualidade, ao olhar para si e para o outro e à percepção das desigualdades existentes no mundo.
Foi também por meio do reggae que ganhou força uma ideia presente no próprio conceito do EP: a humanidade como uma grande família.
Essa visão aparece no próprio nome Pangea, referência ao supercontinente que, em uma escala geológica, reunia territórios que posteriormente se separaram.
Para Guga, o conceito representa justamente a possibilidade de imaginar um mundo sem fronteiras e divisões.
“Um mundo sem fronteiras, sem divisões, todos unidos compartilhando do bem viver”, define.
A inspiração dialoga diretamente com uma das mensagens históricas do reggae, sintetizada por Guga na expressão “One Love”, associada à obra de Bob Marley.

Um erro que virou caminho para o EP instrumental
O fato de o primeiro volume ser totalmente instrumental não estava necessariamente previsto quando as músicas começaram a ser gravadas.
Guga conta que, cerca de 15 anos atrás, iniciou as gravações sem perceber que havia escolhido tonalidades pouco adequadas para sua própria voz. A descoberta aconteceu posteriormente, durante aulas de canto no Vale do Capão com Ari Vinicius, músico que, segundo ele, acabou sendo fundamental tanto para o processo de gravação quanto para o lançamento.
A partir dessa percepção, surgiu uma nova possibilidade: transformar as cinco músicas em versões instrumentais.
O resultado acabou dando origem ao Pangea Volume 1. E a história ainda não termina aí.
Guga explica que um segundo volume deve ser lançado nos próximos meses com as outras cinco músicas do projeto original, que permaneceram em tonalidades adequadas para sua voz.

Produção reúne músicos de diferentes trajetórias
O EP foi construído de forma colaborativa, reunindo músicos convidados a partir de amizades e indicações.
Guga assina as composições e também toca contrabaixo. A formação conta ainda com Gabriel Zunga, na bateria; Freelion e Criminalwjunior, nos teclados; Atila Santana e Marauak, nas guitarras; Hugo Sanbone, nos metais; Ari Vinicius, na flauta e na percussão; e Ícaro Sá, também na percussão.
A gravação aconteceu em diferentes espaços. Parte foi realizada em Salvador, outra parte no Vale do Capão, em parceria com Ari Vinicius, enquanto alguns músicos registraram suas participações em casa.
A mixagem e a masterização ficaram por conta de Arian Pinho.
O formato descentralizado da produção também revela um aspecto do próprio processo: o EP foi sendo construído a partir das relações e encontros que Guga estabeleceu ao longo do caminho.
Encerramento de um ciclo e começo de outro
Mais do que representar simplesmente a chegada de um primeiro lançamento, Pangea Volume 1 marca, para Guga, o encerramento de um longo período de cobrança pessoal.
O músico define o momento como o fechamento de um processo de “muitos anos de autocrítica e lapidação”, mas também como o início de uma nova etapa: permitir que sua música deixe o espaço privado e chegue ao público.
A intenção, entretanto, não é transformar o projeto em uma agenda de shows.
Guga afirma que não pretende, neste momento, levar o Pangea para uma rotina de apresentações ao vivo, principalmente por conta da energia e da logística envolvidas. Além da música, ele concilia outras atividades profissionais e a vida familiar com um filho atípico.
A proposta, por enquanto, é mais direta: compartilhar sua criação por meio das plataformas digitais.
Pangea no festival de reggae?
Com a cena reggae da região e a realização de um festival previsto para outubro, a possibilidade de uma apresentação do projeto naturalmente surge.
Guga, porém, afirma que considera difícil uma participação já nesta edição, principalmente pelo curto intervalo de tempo. Ao mesmo tempo, deixa aberta a possibilidade de uma apresentação pontual no futuro, caso surja um convite e seja possível organizar a logística.
Para quem acompanha a produção musical da Chapada Diamantina, fica assim uma possibilidade para os próximos capítulos, sem transformar desejo em agenda confirmada, esse pequeno detalhe que o jornalismo insiste em considerar importante.
Um primeiro passo depois de quase duas décadas
O lançamento de Pangea Volume 1 representa, portanto, mais do que a disponibilização de cinco faixas nas plataformas digitais. É a materialização de uma ideia que atravessou quase 20 anos e encontrou diferentes formas de existir até chegar ao público.
Agora, o sonho que durante tanto tempo foi ouvido principalmente pelo próprio compositor passa a circular por outras escutas.
O EP Pangea está disponível nas plataformas digitais. A obra reúne as cinco faixas “Saia Já”, “Sinais”, “Deixe”, “Refúgio” e “Por Que Não?”.
Ouça o EP: Spotify
Instagram: @gugarehmm








