Aos 18 anos, Clarice Mariá ainda está cursando o Ensino Médio, mas a arte já ocupa um espaço importante em sua trajetória. Entre diferentes técnicas e linguagens, a jovem vem construindo seu caminho na pintura a partir da observação do cotidiano, da natureza, da luz e de questões que atravessam sua relação com a existência e o universo.
Clarice se define como uma artista que “confia bastante no processo”, lema que acompanha sua maneira de criar e aprender. Sua produção transita principalmente pelo realismo, com algumas experiências no surrealismo, e inclui trabalhos em tinta acrílica, aquarela e grafite.
Além das telas e do papel, ela também experimenta outros suportes. Já realizou pinturas em roupas e tecidos e participou de trabalhos em paredes, muros e murais, utilizando tinta de tecido, tinta de parede, PVA e tinta acrílica.
Entre os temas que aparecem em sua produção estão o corpo humano, questões existenciais, o universo, galáxias e planetas. Mais recentemente, as paisagens da natureza também ganharam espaço entre suas pinturas, especialmente aquelas marcadas pela iluminação do pôr do sol.
“O pôr do sol consegue transformar a paisagem inteira, trazer mais cor, trazer mais vida para ela”, conta.


Um olhar atento para a luz
Para Clarice, a inspiração pode surgir das pequenas coisas do dia a dia. Ela conta que é uma pessoa observadora e que costuma prestar atenção à natureza, às pessoas e à maneira como o corpo humano se relaciona com o ambiente.
Entre todos esses elementos, porém, a iluminação ocupa um lugar especial em seu processo criativo.
A artista observa como a luz natural incide sobre uma planta, modifica a percepção de suas cores e interage com paredes, objetos e outros elementos ao redor.
Essa interação entre luz, cor e ambiente acaba se tornando matéria para suas pinturas.
“Eu acho que a iluminação natural, principalmente, consegue trazer sentimentos, trazer emoções, perspectivas diferentes.”
Por isso, diferentes formas de iluminação aparecem em seus trabalhos. Clarice gosta de explorar luzes vindas de diferentes direções e com diferentes tonalidades, buscando reproduzir não apenas aquilo que vê, mas também as sensações provocadas por determinada cena.
A natureza é uma de suas principais fontes de inspiração, especialmente nas paisagens que vêm sendo incorporadas mais recentemente à sua produção.
Entre o cotidiano e o universo
O interesse de Clarice pela arte também se mistura a questões que, segundo ela, fazem parte de suas reflexões desde muito nova.
Pensamentos sobre a vida, a existência e o universo acompanham sua trajetória e acabam encontrando espaço na produção artística.
Essa relação aparece tanto em trabalhos inspirados no universo quanto em propostas mais fantasiosas, nas quais imagina outras possibilidades de existência.


“Eu gosto de trazer essa questão da vida, do universo e de diferentes possibilidades de viver.”
Assim, a pintura se torna também uma forma de expressar perguntas, pensamentos e percepções que nem sempre encontram espaço em outros meios.
Uma relação com a arte construída desde a infância
O caminho de Clarice na arte começou ainda na infância e teve o incentivo da família como uma de suas principais bases.
Segundo ela, os pais, Cecília e João, sempre apoiaram seu interesse pela produção artística, proporcionando acesso a materiais, oficinas e aulas, além de liberdade para experimentar.
Ainda criança, Clarice participava de atividades de pintura e desenho. Por volta dos 8 anos, passou a buscar conhecimentos por conta própria, utilizando vídeos disponíveis na internet para estudar temas como anatomia e proporção do corpo humano.
Ela ainda guarda alguns dos desenhos dessa época.
Por volta dos 10 anos, começou a aprimorar as técnicas de pintura com lápis. O processo continuou nos anos seguintes e ganhou novos caminhos a partir de 2020, quando começou a trabalhar com tinta acrílica.
Foi durante a pandemia que a artista percebeu de maneira mais clara as possibilidades que a pintura poderia trazer para sua vida.
Ela criou seu perfil no Instagram, passou a receber encomendas e começou a transformar o trabalho artístico também em uma fonte de renda extra.


A pintura, que continua sendo um hobby, passou a ocupar um espaço mais profundo em sua identidade.
“A arte assumiu um lugar extremamente importante, um lugar muito especial e muito significativo dentro de mim, por ser essa ferramenta que eu uso para mostrar para o mundo quem eu sou e a maneira como eu enxergo ele.”
Para Clarice, criar também representa uma maneira de deixar uma marca no mundo e expressar aquilo que existe dentro dela.
A escola como espaço para apresentar a arte
A experiência de Clarice com exposições ainda é recente. Ela conta que começou a apresentar sua produção para diferentes públicos em 2023 e que grande parte dessas oportunidades surgiu a partir do ambiente escolar.
Atualmente, estudante do Instituto Federal da Bahia (IFBA), ela participa de eventos promovidos pela instituição, que possui iniciativas de incentivo à arte e possibilita aos estudantes apresentar seus trabalhos em diferentes momentos do ano.
Além do IFBA, a artista também já participou de eventos realizados em Seabra.
Para Clarice, expor as obras presencialmente representa uma experiência diferente daquela proporcionada pelas redes sociais. O público pode observar diretamente as telas e conhecer seu trabalho de outra maneira.
“As pessoas têm um contato direto com as telas, com as pinturas.”
Essas experiências também contribuem para a construção de seu repertório e portfólio, além de proporcionarem contato com diferentes públicos.


A artista considera que apresentar sua produção em espaços educacionais tem sido importante para seu desenvolvimento, justamente por serem os locais onde tem encontrado mais oportunidades para expor.
Arte e formação
A presença da produção artística de Clarice em eventos educacionais também revela uma relação entre sua formação escolar e o desenvolvimento de sua trajetória como artista.
Ainda estudante, ela encontra nesses espaços a possibilidade de experimentar a exposição de seus trabalhos, conversar com o público e perceber como suas obras são recebidas fora do ambiente das redes sociais.
Ao mesmo tempo, essas experiências acontecem enquanto ela continua aperfeiçoando suas técnicas e descobrindo novos caminhos para sua produção.
Entre o realismo e o surrealismo, entre o grafite, a aquarela e a tinta acrílica, entre a observação da natureza e as perguntas sobre o universo, Clarice Mariá segue construindo seu próprio percurso.
E, como ela mesma define seu processo, tudo começa por uma escolha simples, mas que parece acompanhar cada etapa de sua trajetória: confiar no processo.








