No dia 31 de outubro, a Coletiva Pretas Diamantina realizou mais uma ação de fortalecimento comunitário, desta vez no Quilombo Mulungu, em Boninal (BA). A programação reuniu momentos de cuidado, troca de saberes, valorização cultural e reconhecimento da ancestralidade, aproximando integrantes da Coletiva e moradores da comunidade.
Um território de histórias, memórias e saberes
A recepção começou com um passeio cultural conduzido por Adriele, que acompanhou o grupo até o Morro de Areias. O local, de grande significado para a comunidade, é um espaço de encontro entre famílias, lazer e contemplação da natureza.
Durante a caminhada, as participantes conheceram frutas nativas e árvores medicinais, como o angico, em uma experiência que evidenciou a riqueza dos conhecimentos tradicionais presentes no território.
A visita também proporcionou um encontro com Dona Abília Jorge. Entre uma boa conversa e um almoço preparado por ela, o grupo compartilhou histórias e momentos de acolhimento.
No período da tarde, as atividades foram recebidas por Darlete Santos, professora e representante do Grupo Cultural Nova Geração do Quilombo Mulungu, que expressou a alegria da comunidade em acolher a Coletiva e compartilhar suas experiências e saberes.
Saúde, autocuidado e ancestralidade em pauta
A programação teve início com uma fala de Nelcy Freire, escritora, historiadora e presidente da Coletiva Pretas Diamantina. Ela destacou a importância da presença da Coletiva nas comunidades quilombolas, da visibilidade de suas iniciativas e do acesso às informações sobre políticas públicas municipais nas áreas de saúde, educação e cultura.
Nelcy também ressaltou a necessidade de fortalecer ações voltadas à juventude quilombola, incentivando crianças e jovens a reconhecerem e valorizarem sua ancestralidade, sua identidade e a força de sua história.
Entre as atividades, a roda de conversa sobre saúde bucal, conduzida pela Dra. Thabata Brandão, abordou cuidados cotidianos, higiene, escovação e prevenção de problemas bucais.

O autocuidado também esteve presente na atividade conduzida por Cássia Santos, professora de dança e terapeuta. A conversa foi acompanhada de uma prática de respiração e alinhamento corporal, convidando as participantes a dedicar atenção ao próprio corpo e ao bem-estar.
A música abriu outro espaço de conexão. Larissa Bôtto, musicista e professora da educação infantil, conduziu uma vivência com cantigas africanas, aproximando os participantes de ritmos, sons e brincadeiras que evocam a ancestralidade.

A dança afro também ganhou destaque na programação. Jucirene Guarda apresentou uma expressão artística marcada pelo movimento e pela memória das raízes africanas, acompanhada por uma música autoral da professora Larissa Bôtto. O momento celebrou identidade, pertencimento e valorização da expressão artística quilombola.
A cultura que mantém viva a história
Para encerrar o encontro, o Grupo Cultural Nova Geração do Quilombo Mulungu presenteou as participantes com uma apresentação de samba.
Entre crianças, jovens e mulheres mais velhas, a manifestação cultural revelou a força de uma tradição que segue viva na comunidade e encontra nas novas gerações um caminho para sua continuidade.

Mais do que uma programação de atividades, o encontro foi uma oportunidade de aproximação entre pessoas e saberes. A experiência no Quilombo Mulungu reforça a importância de iniciativas que promovem o cuidado, reconhecem os conhecimentos tradicionais e valorizam a cultura e a autonomia das comunidades quilombolas da Chapada Diamantina.
A Coletiva Pretas Diamantina segue desenvolvendo ações de fortalecimento das mulheres e das comunidades quilombolas, tecendo redes de cuidado, ancestralidade e valorização dos territórios.

Representantes da Coletiva Pretas Diamantina presentes: Nelcy Freire, Cássia Santos, Jucirene Guarda, Larissa Bôtto, Maria Dalva e Nara.
Fonte: Coletivo Pretas Diamantina








