segunda-feira, 8 agosto, 2022

No Vale do Capão, Ucrânia e Rússia fazem a dança da paz

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No Vale do Capão, Ucrânia e Rússia fazem a dança da paz

Ucrânia e Rússia juntas, dançando pela paz. Foi exatamente isto o que aconteceu neste domingo, no coreto do Vale do Capão. A iniciativa partiu da ucraniana Anna Shanti, 33 anos, musicista, moradora do povoado há oito anos. Acompanhada da banda Vozes de Raíz e dos russos Anna e Ruslan Adanikova, originários de São Petersburgo, eles se manifestaram pelo fim das hostilidades entre as duas nações. “A guerra não é só entre países, mas também sobre comunicação e informação. É preciso se informar, pensar conscientemente e com olhar crítico. Usar várias fontes de informação para entender o que está acontecendo”, declarou a ucraniana. “Nada justifica a guerra. Que todos se interessem por política, pois ela realmente mexe com o cotidiano das pessoas”, completou o russo.

Anna Shanti é originária de Uzhgorod, cidade fronteiriça com a Hungria. Ela relata as notícias que vêm recebendo de seus familiares. “Apesar de ser uma das cidades mais tranquilas da Ucrânia, recentemente já tivemos sirene de ataque de bomba no ar”, contou. “Há muitos refugiados vindos de outras áreas do país. Para você ter noção, seis pessoas estão dormindo no meu quarto (na casa dos meus pais) fugindo da guerra”.

Emocionada, ela relatou que tem amigos que estão sem dar notícias há oito dias. “Provindos de Kiev, Mariupol e Kharkiv, eles estão há oito dias sem água e sem comida escondidos em algum lugar no subsolo. Você consegue imaginar uma situação dessa? Todo dia acordo e não acredito que isso realmente esteja acontecendo. Eu nunca poderia imaginar”, lamentou.

Fronteira

Anna é filha de mãe russa e pai ucraniano – união que não é incomum, segundo ela, pois “vários russos optaram por morar na Ucrânia por se sentirem mais seguros e terem liberdade de expressão”. Segundo Anna, inclusive, os bombardeios ordenados por Wladimir Putin estão ferindo e matando vários cidadãos russos que viviam pacificamente em solo ucraniano. “Essa guerra é uma questão de poder econômico, territorial e de fake news. Putin alega que precisou invadir nosso país dizendo que haveriam nazistas na Ucrânia matando quem falasse em russo na rua. Eu falo russo, minha família fala russo e nunca tivemos problema algum com isso mesmo vivendo em uma cidade onde a maioria fala ucraniano”.

O Vale do Capão é conhecido por sua faceta multicultural. Na mesma manifestação em que estava Anna Shanti, ucraniana, também estavam Anna, 36 anos, psicóloga, e Ruslan, 37 anos, marceneiro, acompanhados da filha Anastasia, de apenas quatro meses. O casal russo conheceu Anna Shanti na Espanha e resolveu vir para o Capão somente de passagem: “tínhamos planejado fazer o parto natural de nossa filha Anastasia aqui no Capão e depois voltaríamos para a Rússia. Mas não pudemos mais voltar, agora já me expressei nas redes sociais contra a guerra”, contou Ruslan. Além disso, não há mais aviões entrando ou saindo da Rússia.

Liberdade de expressão e repressão

No dia 04 de março, o parlamento russo aprovou uma lei tornando ilegal qualquer manifestação ou ação que “desacredite” o exército russo. Segundo Ruslan e Anna, Putin sequer aprova o uso da palavra “guerra”, apenas “intervenção”. O casal explicou que faz dois dias que a Rússia colocou uma censura bloqueando redes sociais e o WhatsApp para que a população local não possa se expressar online contra o que está acontecendo, sob pena de receber até 15 anos de prisão.

Portais de notícias incluindo BBC, Deutsche Welle e RFE, também tiveram seus acessos bloqueados na Rússia. Parece ficção, mas são fatos verídicos, incluindo a notícia de uma mulher multada em torno de R$ 1200 reais por escrever “não à guerra” na neve de uma praça na Sibéria.

Ruslan afirma que não pode falar com sua mãe sobre a guerra, pois ela acredita na propaganda falsa que o parlamento russo está difundindo, na qual ucranianos apareceriam “agradecendo por serem libertados pela Rússia”. Após a lei de 4 de março, jornalistas independentes tiveram que sair do país. Diversas mídias alternativas fecharam e jornais locais suspenderam suas reportagens pelo aumento das restrições. Especialistas da ONU estão alarmados com o nível de censura e repressão. Em menos de uma semana, jornais internacionais anunciaram a suspensão das reportagens de Moscou e vários veículos sofreram atentados.

“Cada um tem que elevar sua própria vibração para segurar a onda desse momento mundial absurdo. A guerra não é só entre países, mas também é de informação”, disse Anna Shanti. “Dizem que os que moram aqui no Capão são os que fogem. Não, aqui moram diversas culturas que canalizam a paz. O Vale do Capão tem essa responsabilidade: unir culturas e vibrar pela união de todos”, disse Carolina Endi, participante da roda no coreto.

Reportagem de Laura Sliva (texto e fotos)

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Laura Sliva
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Laura Sliva é jornalista, facilitadora de experiências nas montanhas e moradora do Vale do Capão
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