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Entrevista com Cris Nishimori, artista do Vale do Capão, apresentando a proposta online do Festival Internacional Diamantino de Circo que acontecerá entre os dias 17 e 21 de março com o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia por meio da Lei Aldir Blanc

6ª Edição do FESTINO

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6ª Edição do FESTINO

Entrevista com Cris Nishimori, artista do Vale do Capão, apresentando a proposta online do Festival Internacional Diamantino de Circo que acontecerá entre os dias 17 e 21 de março com o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia por meio da Lei Aldir Blanc

  • Como surgiu a ideia de organizar o festival artístico?

No final do ano de 2009 o Festival nasceu da vontade de legitimar um encontro que é natural no Vale do Capão, onde artistas vêm de várias partes do mundo para estudar circo, músicas e artes. No Vale o movimento circense é bastante forte devido a escola de Circo do Capão, um lugar maravilhoso e com uma ótima estrutura, que permite aos artistas treinarem até mesmo profissionalmente. Naquele contexto um grupo de artistas, que sentiram a ideia no coração, conseguiram realizar pela primeira vez o evento, mas ainda sem muitos recursos. Sendo assim o primeiro Festival foi bem humilde, os artistas participaram e produziram todos os espetáculos. Acontecia sempre o Cabaré no circo e o 1º Festival representou bastante os espetáculos que já haviam sido apresentados, com mais algumas novidades e então o grupo organizador continuou com esse sonho de fazer o Festival uma vez por ano. 

Após uma 1ª edição aconteceram três edições seguidas em 2010, 2011 e 2012. No ano de 2010 e 2011 foi realizado através de autogestão, onde a organização do evento estudou como fazer os Projetos Culturais mesmo sem patrocínio. Já em 2012 o Festival conseguiu aprovar uma edital da Fundação Cultural do Estado de Bahia do setor editorial de circo e já fizemos o evento com este apoio, o valor na verdade não pagava o custo do Festival todo, então tive que seguir autogestão e com esse apoio do governo e percebemos que era muito trabalho, muito cansativo fazer ele sempre, então depois de 2012 a gente ficou vários anos sem fazer o Festival voltando em 2017 já na consciência de que para que seja saudável tem que ser bienal, ou seja, em 2017, 2019 e agora vamos fazer 2021. 

  • Quais são as atividades e propostas do Festival Diamantino?

É um Festival muito grande, normalmente tem 10 dias de duração e a gente não faz eventos só aqui no Vale do Capão, saímos para povoados, exceto esta edição, que será online, mas normalmente a gente faz apresentações nos povoados aqui pertinho, em pelo menos três povoados além da sede do município, Palmeiras.  Então o Festival se estende para 4 localidades em três dias, e aqui no Vale os outros sete dias. São dois dias de muitas oficinas circenses, pois gostamos muito de apoiar a formação de artistas, simpatizantes, interessados pelo circo e depois são 5 dias de atividades com espetáculos para adultos, espetáculos infantis e algumas atividades paralelas, como palestras, onde sempre se chama uma pessoa com notório saber nas artes circenses. Nesta edição de 2021 contamos com a presença de João Lima que é um Circense baiano, dos mais antigos, que irá contar a história dele com o circo na Bahia. Também promovemos mesas redondas abordando o tema arte e cura, uma característica de todos os Festivais, abrindo uma mesa para que todos os artistas e o pessoal da área de saúde interessados, falem sobre esse tema “arte e cura” porque acreditamos muito e é uma das filosofias do Festival.

Há também uma roda de prosa, onde os artistas participam, se apresentando, em um momento interno de todos os participantes do Festival, artistas, técnicos e todo mundo que está trabalhando em volta. Esta roda de prosa é para a gente se conhecer, falar o que faz, trocar ideias, se fortalecer enquanto grupo. O Festival é um lugar para a gente se encontrar, ver quem está fazendo arte, recebendo e doando informação.

Outro momento é o dos “jogos circenses” algo super divertido, onde várias disciplinas do circo são misturadas com disciplinas esportivas, a gente faz um circuito competitivo, sempre com muita alegria e leveza querendo transformar essa coisa da competição, e a gente no circo, no espírito do palhaço tem muito isso, de rir de nós mesmos, dos nossos fracassos, que podem ser tesouros para um palhaço, para um artista cômico então brincamos muito com isso. Os jogos circenses sempre aconteceram, agora a proposta é fazer as atividades por meio do aplicativo zoom; os jogos circenses, a palestra, a roda de prosa e a mesa redonda.

Nessa 6ª edição como temos o patrocínio da Fundação Cultural do Estado da Bahia por meio da Lei Aldir Blanc, vamos fazer esta versão com duas novidades, uma é que ela vai ser 100% online e a outra é que ela vai ser inclusiva, pois muitas das atividades deste ano vai ter tradução em Libras – Língua Brasileira de Sinais, estamos estudando a história da inclusão para o alcance deste público, que também merece.

Dentro da filosofia do Festival buscamos ser uma festa consciente, não vendendo bebida alcoólica, cuidando com muito carinho do lixo, fazemos um cortejo circense, onde vamos recolhendo o lixo da rua e entregando a rua principal do circo até a vila limpinha para a comunidade. Temos também a filosofia da produção colaborativa, querendo passar esse cuidado ambiental para as pessoas que vem, falando do cuidado com as trilhas, do cuidado com a natureza, seguindo uma linha sustentável também com decorações do evento que são feitas de materiais reaproveitados, levantamos essa bandeira de festa consciente, festa ambiental.

  • Por quem é formada a equipe de organização do Festival?

Quem faz este festival, nos denominamos família de artistas e amigos da arte aqui do Vale do Capão, em parceria com o Circo do Capão. Dos colaboradores firmes que estamos em todas as edições e nesta em especial, somos 8 pessoas; eu e meu companheiro Javier, Begoña Cruz, João Weber, Josefina Silva, Keke, Ana Pandereta e Memo (Guillermo Arioli) nascido no Uruguai e morador do povoado da Conceição dos Gatos.  Este Festival é ancorado por mim e Javier Molina na Coordenação Geral, realizado pela Família Festino com muito amor agradecidos por poder manifestar um sonho coletivo.

A informação deste evento se encontra no site https://www.festivaldiamantinocirco.com/ e  a lista de  selecionados que irão compor  a programação do VI Festino é a seguinte: 

OFICINAS GRAVADAS NO VALE DO CAPÃO

1- Introdução à Libras – Língua Brasileira de Sinais – Regiane Eufrasino.

2- Caminhos de voo / Dança acrobática – Josefina Silva.

3- Acrobacias e expressão corporal / infantil – Begoña Cruz.

4- Oficina de construção de bonecos, talhados em esponja – Keke, Divina Mixtura . 

5- Mini Curso de musicalização infantil – João Weber 

     Introdução ao método de ritmo e corporalidade – Ari Vinicius.

6- Parada de mãos em casa – Ninha Almeida.

7- Contorcer de casa – Jucimara Santos.

8- Além da suspensão – Pusa Pinaud.

OFICINAS AO VIVO DE FORA DO VALE DO CAPÃO

1- Circus Manifesto – adaptar a criação as necessidades terrestres atuais – Alain Veilluix

2- Princípios excêntricos – Avner the Eccentric

3- Respirar Malabares – Cia Lar Doce Lar – Emerson Noise

4- Hula hoop acrobático e equilíbrio – Paulina Zoe. 

5- Trapézio dança – Graciela Charpentier.

6- Oficina de introdução aos fundamentos básicos da palhaçaria – Pépe Nuñez.

7- Mano a mano – Cia de lá para cá. 

8- Tips de maquiagem – Verónica Márquez.

ESPETÁCULOS 

1- Circo em quarentena -Circo do Capão.

2- Curto Circuito – José Bombin.

3- Accroche-foi si tu peux – Cie les invendus.

4- EsFeRa – Paulina Zoe. 

5- O Salto – Ninha Almeida

6- Trio Flamini, Solo cósmico musical excéntrico – Valentín Flamini. 

7- Disparate de Circo – Compañía Disparate Circo 

8- Utopia – Cia Circênicos.

NÚMEROS:

1. Entre formas e matizes- Duo de cabeza.

2. El hombre banda – Valentín Flamini. 

3. Renascer – Tchatcho/Cia Lar Doçe Lar.

4. Disparate Clavas- Compañía Disparate Circo.

5. Cia de lá para cá. 

6. Rádio Demenzial – Menzo Menjunjes. 

7. Nocturna – Sofia Galliardo. 

8. Uma viagem em rodas – Família Vagamundi. 

9. Klopft – Cie Báuuà

Gabriela Witencamps
Gabriela Witencamps
Atriz, professora de teatro e argentina formada pela Escola de Teatro de La Plata, Buenos Aires, onde é assistente na área de Metodologia da Investigação em artes na carreira de Licenciatura em Teatro. Atualmente trabalha como produtora e coordenadora em El Vodevil, programa de rádio de Artes Cênicas na Rádio de La Universidade Nacional de La Plata e também é integrante da equipe editorial de “El Anzuelo, Educación e Investigación en Artes Escénicas”; Jornal digital editado pela Universidade Nacional de La Plata. Moradora do Vale do Capão onde desenvolve seu projeto de pesquisa sobre as danças afro brasileiras através do estudo da Técnica Silvestre.
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