sábado, 21 maio, 2022
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    Escuta Profunda: Trazendo para o coração a criança ferida

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    Escuta Profunda: Trazendo para o coração a criança ferida

    A possibilidade de análise da criança interior exposta à nossa frente na nossa própria tela mental é no mínimo desconcertante e reveladora. A manifestação dos eus no tempo e suas relações transpessoais, nos induz à reflexão com exclamação: A criança que um dia foi, ela não deixa de existir! Sim, ela não deixa de existir.

    Aqui tratamos de maneiras de cuidar, onde o ser humano é cuidado na sua totalidade. Para tanto, necessitamos desenvolver a nossa escuta profunda, ampliando nossa capacidade de conexão interna, para abrir o canal desse circuito e acessar vozes inaudíveis, porque jazem no inconsciente. Aí se encontra a criança ferida em cada um de nós. Escuta o coração? Compreende o seu pensar?  O lirismo da criança interior, suas fantasias e imaginação funcionam como mestres nos permitindo enxergar onde precisamos curar. Onde precisamos acolher a parte de nós que não teve o que precisava, em uma fase muito importante de nosso desenvolvimento, o lugar onde carregamos nossas necessidades não satisfeitas, nossas emoções reprimidas, nossa criatividade boicotada, intuição pura, alegria genuína e capacidade de brincar. 

    Como somos capazes de esquecê-la? Mantenhamos a imagem da nossa criança no Altar do coração, lugar de iluminação, dos mestres, para que ela não nos deixe esquecê-la jamais. Afinal de contas, ela sou eu!. Ela é você. Apenas cresceu, mas está contida no adulto que nos tornamos. Nesse momento, levanto o olhar e a vejo na imagem do altar. Olhos de miúdas jabuticabas, chiquinhas esticadinhas, bochechas rosadinhas e verdade pura no olhar. Olhar que me diz: Como pensar em esquecer quem verdadeiramente somos, se eu sou você? A nossa falta temporária de comunicação arraigou padrões e replicou crenças, genética, convicções que nos submeteram a um sistema de desenvolvimento estruturalmente abusivo, racista, opressor, e crescemos com todas as dores traduzidas em memórias tóxicas circulando em nosso sistema nervoso.

    Criança é para ser amada, cuidada, bem alimentada e amada, jamais machucada. Uma criança machucada pode virar um adulto que machuca. Por isso a importância da psicanálise na descoberta e na cura da criança interior ferida, para que se viva uma vida sem máscaras, para que se atinja o seu potencial.

    Como o tempo é de regeneração da espécie humana, ressignificar e compreender o que houve na nossa infância, é de fundamental importância para retirarmos o poder destrutivo daquilo que quando criança, tornou-se trauma nela e muitas vezes, quando adulto, comandam nossos atos e sobretudo, nossas crenças. Isso porque quando somos crianças, necessitamos de cuidados apurados, de suprimentos que alimentem tanto o nosso corpo, quanto a nossa alma. Acontece que por vezes, ele não é feito, ou quem o faz também está ferido, ou ainda pode ser feito equivocadamente, dessa forma, vamos aprendendo erroneamente sobre a vida e quem somos. A criança que ainda reside em nós, em uma parte inconsciente da nossa mente, é aquela parte que se manifesta e cujas experiências ainda não se foram, e continuamos a ver o mundo através dos olhos dela.

    A abordagem sobre determinado mecanismo de intercâmbio entre as personas da criança e do adulto de um único ser, retrata a influência reflexiva e comportamental da criança ferida, que um dia foi e que interfere no mecanismo comportamental da persona adulta que se tornou. Entendemos isto?  Por exemplo: Esta criança ferida cresceu, tornou-se um profissional bem sucedido, constituiu uma bela família, realizou diversos dos seus desejos, contudo, tem inúmeras dificuldades para se relacionar harmonicamente com as pessoas ao seu redor nas suas relações, é uma pessoa arrogante e rígida na sua forma de agir. Opressor na sua forma de pensar, egoísta na sua forma de sentir.

    Abandono, Desamparo, Desamor, ou seja lá qual for a sua dor, tudo ficou arraigado no torpor da dor e do esquecimento. Tornou-se Lixo tóxico assentado nos recônditos da nossa pessoa, nos diversos níveis do viver desse adulto.

    Na realidade, um mecanismo de auto entendimento nasce quando permitimos o re aparecimento da persona criança para a persona adulta. A depender do ambiente e das pessoas ao redor da criança, será o tamanho da dor. Ambientes dificultosos com experiências dolorosas vividas no núcleo familiar, apagam da memória quando adulto, as lembranças dolorosas da infância. Logo aí que começa o embotamento emocional. Esta escuta profunda da infância aparece então, para nos oportunizar recuperar e regenerar a essência da criança, e receber novas oportunidades de vida diferenciada.

    Acessar adequadamente a criança interior oportuniza o eu adulto compreender a dor das amarguras vivenciadas diante dos seus sentimentos e daqueles que o cercam. Trazer para o consciente, para ressignificar a experiência é o início da cura de muitos comportamentos inadequados quando adultos. Buscar compreendê-la traz a necessidade de acessar a essência deste ser, acolhê-lo e integrar-se a ela sem mais sofrimento, apenas reconhecimento da dor e amor para curá-la. Desta integração nasce a clareza da sua auto regulação, e por fim a aceitação positiva e libertária que a experiência traz.

     A Lembrança da Criança é a chave do seu resgate, no seu em si adiante. Apesar de possível dor poder reaparecer da nossa própria entorpecida falta de amor, a criança é a mais bela possibilidade do Amor vir a ser o que é. Palavras alcançam o amor no seu significado real? O amor não é mental. Ele é coracional. Precisamos escutar o coração, aprender a pensar como ele, sem deixar que a mente minta. O foco na importância positiva da experiência dessa dimensão sensível. Adiante, se não sentíssemos a dor para saber o que faltou, não conheceríamos o que é querer ter amor.

    A necessidade de ressignificação dos pensamentos e regeneração dos sentimentos negativos, criará espaço para novos preenchimentos. Só o amor pode curar a dor. Se a dosagem do amor for exata, sobrevém o equilíbrio nos níveis do viver humano. As diversas partes do que somos em Presença e Escuta profunda. O respeito necessário que devemos ter com a trajetória das nossas vidas, suas fases de construção, desenvolvimento e conclusão inacabadas, ainda que, e certos de que isso facilitará um futuro saudável.Tomando a própria experiência como exemplo.

    Exercitando o poder que há em mim, em cada um, podemos restaurar as memórias dolorosas da infância do nosso sistema cérebro corpo. Sempre que necessário, nos auto responsabilizamos por isto. Interrompendo os circuitos internos eletromagnéticos das relações negativamente contaminadas, tóxicas, sem esquecer o incrível poder do amor sabedoria, vamos restaurando nossos sistemas cerebrais, naquele ponto que converge o reavivamento e a regeneração das memórias dolorosas vivenciadas. Experenciar os circuitos de acesso, nos traz a possibilidade de livramento do lixos emocionais quando finalmente contactamos a alma.

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    Maria Az
    Maria Az
    Maria Az é Artista, Articulista, Terapeuta Holística residente no Vale do Capão, ocupada com a Saúde e Bem estar do ser humano integral, Corpo Mente e Espírito. Formada em Dança na UFBA, inicia sua trajetória de formação, por diversas técnicas artísticas e terapêuticas, corporais e sinestésicas, como yoga, dança, teatro, circo, artes plásticas, massoterapia, aromaterapia, bambuterapia, cristaloterapia, chakcras, cromoterapia, fitoterapia, genoterapia, termalismo social, retiros, todas elas oriundas das medicinas tradicionais, antroposóficas e naturais, dos saberes práticos e transmissões ancestrais, hoje chamadas de Práticas Integrativas Complementares, das quais sou atuante e ativista. Saudações!
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