sábado, 21 maio, 2022
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    O Vale do Capão e a pandemia: Desafios e Aprendizados

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    O Vale do Capão e a pandemia: Desafios e Aprendizados

    Neste espaço tentarei trazer um olhar sobre algumas iniciativas, experiências e reflexões acerca do Vale do Capão e região. A ideia é dar foco a pessoas, coletivos ou questões que revelem a complexidade e diversidade desse microcosmo chamado Vale do Capão. Em alguns momentos serão mobilizados conceitos, teorias e autores para que possamos construir alguns diálogos e expandir ainda mais nossa reflexão.

    Assim, para iniciar esse ciclo de escritos, decidi começar do momento presente, O agora.

    O que estamos vivendo hoje no Vale do Capão em meio a este contexto de incertezas e isolamento. Quais desafios e quais aprendizados?

    Desde os primeiros casos de corona vírus registrados em meados do mês de março no Brasil, o Capão entrou em isolamento social. Na época todos os restaurantes, pousadas, comércios de artigos não essenciais foram fechados. O medo dessa nova doença somado a preocupação com os riscos de contaminação no povoado, tendo em vista a grande circulação de pessoas de todos os cantos do mundo, criaram um clima de tensão. Pelo menos foi isso que percebi quando em um dia do mês de abril saí de casa para comprar máscaras de proteção na vila. Já era quase noite e as ruas estavam desertas, as poucas pessoas que ainda transitavam evitavam trocas de olhares. Essa sensação de que o vírus pode vir de qualquer um faz com que sejamos considerados uma ameaça uns aos outros.

    Nestes quatro meses de isolamento os comércios continuam fechados. Não houve São João e nenhum outro feriado nesse período. Também não há nenhuma certeza sobre uma possível retomada. Toda a cadeia produtiva ligada ao turismo, principal atividade econômica da comunidade, está afetada. Restaurantes, pousadas, lojas e bares ainda não sabem quando poderão reabrir. Guias, cozinheira(o)s, faxineira(o)s, garçons, vendedores, artesãos, camareiras, etc, foram impactados diretamente. Não há um levantamento oficial sobre o impacto desta pandemia na economia local, mas já imaginamos que pode haver danos irreversíveis.

    O turismo se tornou a grande fonte de renda da maioria da população, porém seus impactos vêm aumentando a cada ano.

    A partir deste cenário, gostaria de propor aqui uma reflexão a respeito do modelo econômico que vinha sendo desenvolvido até então. O turismo se tornou a grande fonte de renda da maioria da população, porém seus impactos vêm aumentando a cada ano. A falta de gestão dos resíduos sólidos é um grande exemplo. Isso sem falar na especulação imobiliária, grilagem de terras, degradação dos atrativos naturais, poluição sonora e visual, má distribuição dos recursos hídricos em períodos de seca…

    Acredito que o momento atual é oportuno para refletirmos sobre dois aspectos: a fragilidade da cadeia produtiva do turismo, pois a pandemia provou que o turismo não proporciona um crescimento econômico infinito e que momentos de recessão ou até falência podem existir; e a necessidade de tomarmos esse tempo de isolamento para pensarmos e planejarmos um modelo de turismo mais sustentável e mais condizente com as características e especificidades locais.

    Assim, compartilho aqui uma indagação que há muito me acompanha: quais outros modelos econômicos, atividades produtivas, conhecimentos e práticas podemos desenvolver para não estarmos tão dependentes do turismo?

    Imagino que algumas experiências ligadas a economia solidária, cooperativismo e produção colaborativa, como as moedas sociais ou o turismo de base comunitária, podem nos dar pistas e serão temas de nossas conversas por aqui.

    Por fim, entendo a ansiedade e angústia pela volta ao “normal”, mas apesar de todos os danos causados por esse momento, percebo a importância de repensar que Capão queremos!

    E você, que Capão você quer?!

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    Melissa Zonzon
    Melissa Zonzon
    Formada em Antropologia, mestre em Gestão Social pela faculdade de Administração-UFBA. Frequentadora do Vale do Capão desde 1992. Residente desde 2012. Trabalha com gestão de projetos culturais e socioambientais no Território da Chapada Diamantina desde 2012. Fundadora da associação Colmeia, sócia diretora da Araçá Cultura e Meio Ambiente.
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    4 COMENTÁRIOS

    1. “Quais outros modelos econômicos, atividades produtivas, conhecimentos e práticas podemos desenvolver para não estarmos tão dependentes do turismo?”

      Uma ótima pergunta!
      Imagino que se deve começar por consumir insumos da produção local, pelo menos isso.
      Incentivar a produção e ativar meios para que o consumo local seja prioridade na casa de todos os moradores.

      • Com certeza! Fortalecer a produção local, cuidar dos recursos naturais com consciência e responsabilidade é um dos caminhos. Acredito que no ponto que estamos, demonizar o turismo e toda forma de ocupação vivenciada até agora não adianta e pode gerar muita oposição e resistência. A questão é fortalecer outras formas de Produção, de cooperação entre entidades locais, fortalecer as atividades de educação e educação ambiental.

    2. Ficamos com a pergunta . Ontem andando pelo Vale, sinto que além do humano, tudo está dentro do seu lugar, na tranquilidade. Este modelo extrativista nunca nos serviu de forma equilibrada. Que tal darmos um passo para frente, honrando e respeitando o que já existia antes de nós?!

    3. Excelente reflexão, até onde o turismo é positivo e construtivo? Que Capão você quer? Acho que compartilho com muitos a resposta de que queremos um Capão próspero, limpo, com todas as enriquecedoras experiências artísticas que promove, organizado, politizado (no sentido de movimentar coletivamente em direção ao crescimento sustentável) e ainda assim, pois isso não muda, o Capão mágico e abundante que atraiu muitos de nós e segue atraindo gente de todo o mundo.

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    O que seria do Vale do Capão sem os movimentos coletivos?

    O que seria daqui sem as atividades artísticas? Onde você levaria seu filho(a) se não tivesse o Circo, as escolas infantis? O que os hóspedes da sua pousada fariam no sábado à noite na vila se não tivessem os artistas de rua e músicos?

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