Depois de anos sem uma quadrilha junina organizada, o Vale do Capão voltou a celebrar uma das manifestações mais tradicionais da cultura popular brasileira. A Quadrilha Raízes do Capão reuniu moradores nativos, pessoas que escolheram viver na comunidade e visitantes em uma iniciativa que nasceu do desejo de manter viva uma tradição que, aos poucos, havia desaparecido.
A organizadora do grupo, Sônia rocha, que faz parte da diretoria da APEACA – Associação de Pais, Educadores e Agricultores de Caeté-açu, conta que a ideia começou a ser construída ainda no ano passado, mas só conseguiu sair do papel em 2026. Inicialmente, a proposta era reunir apenas moradores nativos, mas a formação dos casais levou o grupo a ampliar a participação e adotar um nome que representasse melhor esse encontro de histórias.
“Queríamos fazer uma quadrilha dos nativos, mas percebemos que muitos casais eram formados por um nativo e outro morador que escolheu viver no Capão. Então entendemos que o importante era reunir as pessoas e resgatar essa tradição. Foi daí que nasceu o nome Raízes do Capão.”
Os convites foram feitos entre amigos, familiares e moradores que demonstraram interesse em participar. Alguns não conseguiram integrar a quadrilha por conta do trabalho ou da dificuldade de acompanhar os ensaios, mas o grupo conseguiu reunir participantes de diferentes idades e trajetórias, fortalecendo o sentimento de comunidade.
Os ensaios começaram no início de junho e aconteceram três vezes por semana. O tempo curto exigiu dedicação dos participantes, especialmente porque muitos também estavam envolvidos nas atividades religiosas do mês de maio.
A ideia inicial era confeccionar os figurinos com lençóis coloridos, inspirados nas antigas quadrilhas da região, valorizando a simplicidade e o reaproveitamento de materiais. Durante o processo, porém, o grupo decidiu utilizar tecidos de chita. Sem patrocínio ou apoio financeiro, cada participante custeou a confecção da própria roupa, tornando o projeto uma realização coletiva construída com o empenho de todos.
Mais do que uma apresentação de São João, a quadrilha despertou emoção entre quem participou e quem acompanhou o espetáculo. Pessoas que nunca haviam dançado quadrilha viveram essa experiência pela primeira vez, enquanto moradores celebravam o retorno de uma tradição que marcou gerações no Capão.
“Ver o sorriso das pessoas foi a maior recompensa. Teve participante que nunca tinha dançado quadrilha e ficou emocionado. Os turistas também elogiavam, dizendo que era bonito chegar ao Capão e encontrar uma manifestação tão tradicional da cultura nordestina.”
O sucesso da primeira edição já inspira novos planos. A intenção é que a Quadrilha Raízes do Capão se torne uma tradição anual, com ensaios iniciando mais cedo, figurinos padronizados e um número ainda maior de participantes.
Mais do que preservar uma dança típica das festas juninas, o grupo pretende fortalecer os laços comunitários e manter viva uma expressão cultural que faz parte da identidade do território. O objetivo é que, a cada novo São João, mais pessoas possam se juntar ao projeto e contribuir para que essa tradição continue atravessando gerações.
A fotógrafa Mariane Riani através do seu novo Projeto Capão Movies fez registros lindíssimos da apresentação.







